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Perseptom Banda Vocal
por
Crismarie Hackenberg
A Perseptom Banda Vocal veio de São Paulo para participar do IV Fórum RioAcappella de Música Vocal e nos concedeu esta entrevista.
1) Várias pessoas se perguntam porque alguns grupos vocais escolhem cantar a cappella e outros usar acompanhamento instrumental. Para vocês, o que foi importante nessa escolha?
R. A formação musical da maioria da banda nasceu nas igrejas protestantes, onde a divisão de vozes é muito comum na execução dos cânticos em geral. Além disso, apesar de haver alguma noção de arranjo e execução instrumental na banda, concluímos que o segmento a cappella é bem menos difundido e, portanto, não está tão “saturado” como o acompanhamento instrumental.
2) O formato da banda vocal de vocês não é muito comum no Brasil. Quais grupos vocais influenciaram o trabalho de vocês?
R. Por influência da vida religiosa, cada um dos integrantes da banda trouxe uma bagagem particular. O que se tinha de mais comum era a música do quarteto americano Acappella. Mas quando resolvemos trabalhar a musicalidade da banda de maneira geral, passamos a identificar outras influências como o quinteto Glad, Take 6, Rockappella, Single Singers, Manhatan, Jackson´s Five e Manhatans Transfer. Passamos a estudar mais aprofundadamente também os pioneiros brasileiros, Quarteto em Si, MPB4, Boca Livre, Roupa Nova, A Cor do Som, Tom da Terra, Farroupilha, etc.
3) Descreva como funcionam os ensaios do grupo e a direção musical do trabalho. É verdade que vocês ensaiam de madrugada?
R. Os ensaios são, na maioria das vezes o momento mais feliz do dia de cada um dos integrantes. Tem dia que, devido ao cansaço, não conseguimos render o que gostaríamos. A direção musical é algo ainda meio intuitivo. É muito difícil a integração em São Paulo entre os grupos que fazem música a cappella. Temos contado com o auxílio de amigos que, sem compromisso direto com a banda, sempre nos dão “um toque” sobre repertório, arranjos e postura profissional. Em especial Norberto, que é arranjador e já participou de algumas edições do RioAcappela e Márcia Hentschel, que é regente do Coralusp, na Universidade de São Paulo. Já que não podemos viver só da música, ensaiamos segunda, quarta e sexta feira, das 23h às 02h, quando o último integrante cai no sono (risos).
4) Vocês participaram do Acapraise 2004 em São Paulo, um campeonato de grupos vocais a cappella. Conte-nos um pouco dessa experiência. O que os grupos vocais interessados em participar devem levar em consideração ao se prepararem?
R. Na verdade o evento foi uma promoção de um membro de uma igreja evangélica de Santo André. A organização é ainda muito primária, nada que se possa tentar comparar com o RioAcappella. Fomos muito bem recebidos e (sem qualquer intenção de exagero) aclamados pelo público. No entanto, o nível de conhecimento e desenvolvimento musical dos organizadores nos fez sentir como se tivéssemos chegado de moto numa corrida de velocípedes. Para os grupos interessados nosso conselho é que cantem arranjos muito, mas muito simples mesmo; é o que os ouvidos julgadores conseguem entender.
5) Vocês conhecem outros grupos vocais a cappella em São Paulo? Como está o movimento de música a cappella por ai?
R. Não é muito fácil o relacionamento entre grupos a cappella em S.P. Não porque haja rivalidade, mas talvez porque a cultura dessa Cidade nos obrigue a mantermo-nos isolados uns dos outros. Cada um encara sua batalha diária e o pouco tempo que sobra, dedica àquilo de realmente ama. Sobra quase nada de tempo para interagir com outros grupos. Temos bons contatos, na verdade, com dois grupos: Trato no Tom e Praise Six, que canta música gospel na linha Take6. Dos demais grupos temos ouvido falar e, às vezes, assistimos em saraus que nosso amigo Norberto realiza no Café Piu-Piu, no bairro do Bixiga.
6) Este ano foi a primeira vez que vocês participaram do Festival RioAcappella. O que significou essa experiência para vocês?
R. Significou a confirmação de nossos ideais e a certeza de que fizemos a escolha certa. A organização do evento é exemplar e invejável. Foi muito gratificante ouvir o depoimento do pessoal do BR6, do Equale, do Cinco a Seco, do Vocalise e do Bombando e perceber que, embora não conhecesse-mos a experiência um do outro (nós em relação aos grupos), trabalhamos da mesma maneira e temos a mesma filosofia. Nossa intuição parece estar ligada com os céus!
Trouxemos uma grande bagagem para nossa vida profissional e muitos contatos com pessoas que aprendemos a respeitar pela seriedade com que trabalham e pelo carinho com que nos receberam.
Perseptom Banda Vocal – (Release)
A Banda Vocal Perseptom formou-se casualmente em fevereiro de 2002 numa reunião entre amigos amantes de música a cappella, realizada na casa de Valter Macário. Desse encontro surgiu um sexteto, que, mais tarde, tornou-se septeto e assim foi mesclando a formação entre seis e sete vozes. Discutiu-se muito sobre a linha musical que o grupo seguiria e, durante algum tempo, havia uma tendência natural ao Gospel por ser a nascente do estilo a cappella. O passar do tempo mostrou que havia muito mais a ser explorado do que a música litúrgica ou religiosa, já que o mundo se mostra cada vez mais ávido por novidades que tragam em seu bojo a semente da criatividade, da ousadia e da coragem. Alguns que não conseguiram interiorizar esse conceito foram deixando o grupo e outros foram unindo-se a esta filosofia. Sua formação atual é: Valter Macário (baixo), Aníbal Macário (barítono), Cristiano Alberto (barítono e percussão vocal), Eloiza Paixão (contralto), Estela Paixão (contralto) Wellington Oliveira (tenor) e Eduardo Machado (tenor). Os arranjos são feitos por Aníbal e Cristiano. O grupo tem repertório diversificado, incluindo o Gospel, a MPB e o Pop Mundial. Dentre as principais apresentações estão Café Piu-Piu (Bixiga-SP), Café Ton Ton Jazz (Moema-SP), 90º Aniversário da Ass. Kagoshima do Brasil (colônia Japonesa em S. Paulo), Universidade Livre de Música (ULM-SP), Clube Lira e Clube Homes (Colônia Alemã em S. Paulo). Teve também o prazer e sente-se honrado por ter participado do IV Fórum RioAcappella, onde palestrou sobre Canto Gospel, MPB e Negro Spiritual ao lado de Cris Delanno.
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