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Um bom começo é sempre melhor!
por
Crismarie Hackenberg
Essa coluna é um espaço destinado para idéias e reflexões sobre o universo dos grupos vocais iniciantes. Dedico-a para inúmeros sonhadores que, assim como eu, já pensaram um dia em formar um grupo vocal.
Um bom começo é sempre melhor!
Porque insistir e falar nesse tema - começar um grupo vocal - quando tantos colegas já começaram e desistiram e ainda outros quebram a cabeça e gastam uma enorme energia tentando mantê-los em ação?
Pois bem, lhes digo que poderia ser até interessante mudarmos o foco da conversa e abordarmos o quesito: carreira artística; mas como falar disso sem culpa se nem o Take 6 diz ter a receita? O problema é esse! A tarefa é hercúlea e os grandes heróis da batalha da música vocal não escrevem bulas nem mapas para os iniciantes: “Cantores ao mar....”.
Pesquisando um pouco sobre o assunto e conversando com Deke Sharon (Cantor/Arranjador do grupo vocal House Jacks e presidente da CASA- Contemporary A Cappella Society) descobri que essa idéia, discutida há muito tempo por aquela instituição e por inúmeras escolas de música dos EUA, inspirou a elaboração do projeto Urban Harmony. Criado em 1995, na cidade de São Francisco, capital mundial dos grupos vocais, o projeto abraçou diversos núcleos diferentes: alunos de escolas públicas, escolas de música, comunidade da cidade, governo estadual e municipal, membros da CASA, igrejas, associações filantrópicas, ONGS, entre outros. O simples objetivo de fomentar a criação de novos grupos na região se consagrou em um grande movimento de musicalização através do canto a cappella e avançou por inúmeras cidades americanas, consagrando mais de 400 novos grupos vocais no país. A partir dessa demanda, festivais de shows a cappella são oferecidos gratuitamente pelas ruas à população e os grupos vocais ainda recebem orientação artística, psicológica e um material de qualidade (CD demo gravado) para manter sua carreira. Como uma pequena premiação, os melhores são convidados a participarem do CD anual “Urban Harmony Project” . O projeto foi muito bem sucedido e continua até hoje em ação. Visite http://www.casa.org/urbanharmony.html
O projeto, na sua primeira versão, já trazia um material didático específico: arranjos, diapasão, métodos de ensaio e uma cartilha de ajuda, bem escrita, na linha passo a passo, para que os cantores interessados em formar grupos vocais pudessem chegar lá! Pois é sobre essa cartilha que vamos debruçar essa coluna nos próximos capítulos. Claro que com minha curiosidade e minha insistência de 12 anos nessa área: produzindo, dirigindo, cantando e arranjando para grupos vocais, vou querer respeitosamente: questionar, adaptar, elogiar e reciclar as idéias propostas pelo projeto para a nossa realidade brasileira.
Um eficiente modelo nas mãos, não garante sucesso a ninguém, porque ainda assim precisaríamos de outros ingredientes, mas pelo menos, nos faz pensar, nos ajuda a prever, nos faz refletir sobre a experiência alheia e se pelo menos não nos evidencia o sucesso, que ajude a nos proteger do fracasso. Por que um bom começo é sempre melhor !
Próximo Artigo: Passo 1: Escolhendo os cantores de um grupo vocal.
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