Artigos e Entrevistas

Rio a cappella: Música vocal no caldeirão do Rio de Janeiro
Artigo de Mauro Dias (Estadão) sobre a participação do BR-6 no Prêmio VISA MPB
Percussão Vocal
Uma viagem ao centro da música a cappella


Rio a cappella: música vocal no caldeirão do Rio de Janeiro
(por Leon Rabelo)

"Eu estou achando isto aqui muito interessante", diz Gisele Diniz, coralista carioca de 19 anos, sobre o 1O Fórum "Rio Acappella", que aconteceu 9 e 10 de junho(2001). Idealizado para se mostrar e debater a situação da vocal no Brasil, o fórum fez um sucesso maior do que seus planejadores tinham esperado inicialmente. O tema principal do Rio Acappella foi o de "grupos vocais" e durante um final de semana quase 500 pessoas do Brasil inteiro se reuniram, entre eles grupos vocais, coralistas, arranjadores, regentes e professores de técnica vocal.

O tempo bom que fazia lá fora, em pleno "inverno" carioca, não impediu o público do Rio Acappella de cantar, reger, fazer palestras ou simplesmente encontrar com velhos e novos amigos. Num ritmo dinâmico, podia-se escolher entre diversos assuntos de workshops e palestras: Patrícia Costa, experiente regente de coros juvenis falava sobre "o coro e os aspectos cênicos"; Sérgio Sansão e o grupo Octopus ganharam aplausos entusiásticos num workshop sobre negro spirituals; o engenheiro acústico de formação sueca Leonardo Fuks falou sobre acústica e André Protasio mostrava como se arranja música popular brasileira para coro. Durante o encontro, podia-se encontrar o primeiro método brasileiro de técnica vocal para música popular, o "Por Todo Canto", de Diana Goulart e Malu Cooper.

Mas o melhor de tudo foi a apresentação dos diferentes coros e grupos vocais. Que sensacional ver a mistura de coros juvenis com experientes grupos vocais, cantores profissionais ou amadores , música clássica, samba e percussão vocal, regentes jovens e velhos, pessoas de todas as partes do Brasil que mostravam seus trabalhos umas às outras, que se surpreendiam e se encantavam porque simplesmente não sabiam da enorme variedade e da surpreendente qualidade da música vocal e coral brasileira.

A surpresa vem do fato da música coral brasileira ser um tanto tímida se comparada com as outras expressões musicais do país. Samba, bossa nova e a música brasileira em geral tem muitas vezes um reconhecimento internacional. Infelizmente não se pode dizer o mesmo sobre sua música coral e de seus grupos vocais.

"Há uma grande falta de apoio, é difícil editar nossos arranjos", diz Zeca Rodrigues. Ele é diretor do Baldeação Rio, um excelente grupo vocal, que faz predominantemente MPB. E, realmente, não é fácil fazer música para essa formação no Brasil. Há muito tempo que falta investimentos econômicos e humanos nas escolas e instituições musicais. Carlos Alberto Figueredo, que com sua longa experiência é um exemplo para os regentes corais do Rio, afirma que a formação do regente coral brasileiro precisa melhorar. É um fato que muitas vezes não há coros nas escolas, nas igrejas e outras instituições, e não foi possível no Brasil criar um movimento coral amplo e unido, de proporções nacionais, como na Suécia e outros países. Para a maioria dos brasileiros, a música é algo muito presente mas a música coral é algo estranho. O coro é associado a "um outro tipo de música" daquela com a qual se está acostumado e muito tem que ser feito para que a música coral no Brasil se realize plenamente. A idealizadora do Rio Acappella, Crismarie Hackenberg, diz uma verdade simples em relação à música coral e vocal no Brasil: "É impossível gostar de uma coisa quando não a conhecemos..."

Por isso, o ambiente era elétrico quando grupos como o Cantus Firmus cantava música tradicional do Nordeste, quando Baldeação Rio mostrava arranjos lindíssimos de Tom Jobim, ou quando o grupo Equale fazia performances cênicas de canções de Gilberto Gil. É música que o público conhece, mas raramente ouve em arranjos a cappella.

A grande facilidade que os brasileiros têm com o rítmico, com a espontaneidade e expressividade ficou clara quando Eduardo Fernandes, regente de São Paulo, realizou "open singing" com todos os participantes do Encontro. De repente, 500 pessoas cantavam e batiam palmas, em plena manhã. As pessoas estavam se reconhecendo naquilo que cantavam, e a música explodia.

Esse encontro da música vocal brasileira com sua própria identidade não impede de forma alguma que os brasileiros se fechem para o que vem de fora, pelo contrário. Principalmente nos coros mais jovens encontramos uma grande curiosidade pela música de outras culturas e países e as pessoas têm uma clara noção de que a música pode ser uma ponte entre culturas e pessoas. Isso certamente pode resultar em grandes encontros musicais. Coros suecos: vocês poderiam se imaginar vindo ao Rio?

Breve release da música carioca

Rio de Janeiro é um nome cheio de mística também para muitos brasileiros. Entre morros e praias, debaixo do Cristo Redentor, existe uma sociedade complexa e cheia de contrastes, com uma importante tradição cultural. Já no século passado havia um público para óperas e concertos. Aquilo que não se produzia, era importado. Os mais importantes músicos da época como o regente Toscaninni e o cantor Caruso, vinham ao Rio. Mas no século XIX ocorreram grandes mudanças e surge uma cidade moderna, cheia de diversidade e contradições. Os descendentes dos escravos, os imigrantes europeus, a tradição colonial brasileira, tudo vivia lado a lado e se misturava. Em todas as classes sociais, consumia-se todos os tipos de música, local ou importada, e nesse caldeirão cultural nasceram várias expressões musicais diferentes. O Samba se desenvolvia nos morros, o Carnaval carioca tomou sua forma moderna. Nos bairros de classe média nascia a Bossa Nova, que nas mãos de Tom Jobim introduzia elementos da música clássica e do Jazz. O Rio de Janeiro de hoje não parou e as diferentes linguagens ainda se misturam. Rock, funk, rap, hip-hop se mistura a uma profusão de ritmos brasileiros. A música reflete uma sociedade cheia de problemas mas que não abandona a sua alegria de viver, sua esperança e sua luta por um futuro melhor.


Leon Rabelo é regente, diretor de grupos vocais e violonista. Fez especialização em canto coral de 2 anos com o professor Erik Westberg (Suécia).

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Artigo de Mauro Dias (Estadão) sobre a participação do BR-6 no Prêmio VISA

Quatro Estados e quatro sotaques no Visa
(por Mauro Dias)

A quarta eliminatória do concurso teve candidatos de Minas, Rio, São Paulo e Bahia. O grupo vocal carioca BR-6, a cantora mineira Titane, o pianista e cantor paulista Claudio Goldman e a cantora baiana Jhanaína Carvalho foram os candidatos que se apresentaram, na quarta-feira, na quarta eliminatória do Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal.

Embora o prêmio tenha recebido inscrições de todos os Estados - foram quase 2 mil pretendentes às 24 vagas das eliminatórias -, Rio, São Paulo e Minas foram os que predominaram, feita a pré-seleção.

E a quarta eliminatória começou com o grupo do Rio. Apesar de chamado BR-6, é, na verdade, um quinteto com um convidado especial, o percussionista vocal Marcelo Manes. Eles cantam a capela, ou seja, sem acompanhamento instrumental. São quatro vozes masculinas e uma feminina, a de Crismarie Hackenberg. Ela contou para a platéia que existe, na sua cidade, um movimento de valorização do canto a capela - e o BR-6 é parte desse movimento.

Eles cantam muito bem, timbram - combinam as vozes - espetacularmente, elaboram arranjos sofisticados para repertório de primeira grandeza. Mas a abordagem do repertório pode ser discutida - e discussões são sempre saudáveis.

O BR-6 procura aproximar Jobim, Marcos Valle, Edu Lobo de um sotaque negro norte-americano, coisa que, aliás, anda muito em voga. Os solistas (eles se revezam nos solos) cantam com voz anasalada (o inglês é uma língua nasal) e adaptam sílabas portuguesas para que soem de acordo com o funk (em Eu Sei Que Vou te Amar, de Tom e Vinícius de Morais), com o cajun e o reggae (em Upa, Neguinho, de Edu Lobo e Giafrancesco Guarnieri), com o blues (em Eu Preciso Aprender a Ser Só, de Marcos e Paulo Ségio Valle). O baque do samba volta funkeado no último número do grupo, Sai Dessa, de Nathan Marques e Ana Terra.

De aproximações também é feita a música de Titane ...

Extraído do artigo de Mauro Dias no Jornal O Estado de São Paulo (Estadão) de 17/05/02.

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Percussão Vocal
(por Cícero Melo)

Você é um percussionista vocal? Vamos lá, você nunca tentou imitar uma bateria emitindo sons com a boca? Se está pensando "só por diversão", este é o caminho, a percussão vocal nasce do prazer de brincar com os sons, fazendo-os o mais próximo possível da realidade.

Hoje, a percussão vocal tornou-se "lugar comum" no meio a cappella. Bandas e grupos vocais usam (e abusam) deste recurso; por vezes utilizam até dois percussionistas vocais ao mesmo tempo.

Por isso, nomes como Wes Carrol (The Housejacks), Paul Sperazza (Toxic Audio), Elaine Chao (Wicky 6) e Andrew Chaikin (ex-Housejacks) tornam-se cada vez mais conhecidos.

Mas em que a percussão vocal influencia na música? Neste contexto, pode-se dizer que a PV além do ritmo, traz energia e vibração à música, dando nova vida a ela.

Quer fazer uma experiência? Imagine sua música preferida (não a cappella) sem a bateria... agora imagine a música a cappella que você mais gosta com o som de uma bateria... viu o que quis dizer?

Você deve estar pensando: "isso pode funcionar para um grupo vocal que tem 5 ou 6 pessoas, mas em um coral? Faça essa pergunta ao BU Treblemakers, uma banda vocal com 13 pessoas, nascida na Universidade de Boston. Representante desta cidade nas semi-finais do ICCA (International Championship of Collegiate A Cappella) deste ano, usa até dois percussionistas ao mesmo tempo. Ou então, se preferir, ao Boston Dynamics, uma banda vocal onde homens e mulheres alteram-se no papel de percussionistas vocais.

E o que fazer agora? Comece a tentar imitar sons de uma bateria.Quer umas dicas? Para o bumbo tente um pequeno sopro de ar com o fonema "pu"; uma boa e explosiva caixa precisa da combinação das consoantes "kx"; já um prato soa como um "tsx"...

Que tal? Quem sabe você acabou de se descobrir percussionista vocal!! Corra atrás, seu coral pode transformar-se em uma banda vocal!!!!


Cícero Melo, percussionista vocal do grupo bOmBaNdO, já participou como cantor do Coral Vocal Factory e do grupo vocal Boka Boka, ambos regidos por Crismarie Hackenberg. Há quase dois anos como percussionista, já participou e assistiu a shows e eventos nos EUA, tendo sido aluno de percussão vocal de Andrew Chaikin e Wes Carrol, os maiores nomes da arte de fabricar sons com a boca.


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Uma viagem ao centro da música a cappella
(por Crismarie Hackenberg)

Musicista e educadora que sou há mais de 15 anos, numa viagem que fiz aos Estados Unidos no ano passado me deparei com uma experiência musical encantadora que me perturbou e me estimulou a investigar mais os caminhos da música vocal. Dos frutos dessa experiência, tanto meu trabalho enriqueceu com conceitos musicais nunca antes abordados na minha formação, como potencializou em mim uma capacidade nova de ver música exclusivamente através da voz humana.

Claro que todos aqueles que conhecem música "a cappella" já ouviram Take 6, Vocal Sampling ou Swingle Singers antes — inclusive eu — e que não há nada de novo no fato das pessoas cantarem harmonizando sem instrumentos musicais. Então, o que eu poderia ter encontrado de tão fascinante e de tão novo assim, além de pessoas com microfone cantando "a cappella" sem regência?

Minha viagem começou na linda Califórnia, centro atual da música "a cappella" no mundo. Munida de toda a curiosidade possível, assisti, em maio de 2000, a final do mais importante concurso de grupos vocais "a cappella" nos EUA, e talvez do mundo: "Harmony Sweepstakes". Fiquei boquiaberta com o que ouvi e, principalmente, com o que vi. Oito grupos de até 7 componentes e de qualidade indiscutível, campeões de várias regiões dos EUA, se apresentaram ciceroneados pelo grupo vencedor do ano anterior: "Naturaly Seven". É simplesmente indescritível o que assisti de tão distante que está da nossa realidade. Para se ter uma idéia dessa distância, o concurso "Harmony Sweepstakes" ocorre há 14 anos e talvez por isso eles já estejam num estágio avançado para produzir um espetáculo tão maduro.

Todo o aspecto visual e sonoro de ótimos grupos vocais "a cappella" cantando um seguido do outro mudou a minha consciência musical, e inebriada pelo que assisti, não pude deixar de conferir, em novembro passado, o "West A Cappella Summit", um workshop fantástico com alguma das maiores personalidades do mundo ''a cappella" em San Rafael, Califórnia.

Durante um final de semana, em dois anfiteatros simultâneos de uma universidade local, a cada hora, um palestrante diferente abordou assuntos específicos de interesse da comunidade vocal entremeados por apresentações de vários grupos vocais "a cappella". Nomes como: Ward Swingle, Kirby Shaw, Raz Kennedy, Andrew Chainkin, entre outros puderam ensinar e mostrar seus profundos conhecimentos para centenas de pessoas envolvidas no mundo vocal. Além disso, cinco grupos profissionais, vencedores dos últimos anos do "Harmony Sweepstakes" se apresentaram na noite do primeiro dia no Marine Center, local exclusivo para os shows em outro ponto da cidade.

Ward Swingle contou as deliciosas histórias do grupo vocal europeu mais famoso de todos os tempos, o octeto Swingle Singers, mostrando as primeiras gravações caseiras e takes inéditos do grupo. Falou de sua formação musical erudita e popular que o fizeram juntar em arranjos vocais fabulosos, a música perfeita de J. S. Bach com o swing do Jazz. Num outro momento, dois corajosos grupos vocais amadores passaram por um "master class" com o mestre Swingle. Ele deu toques para alguns cantores como: exercícios para pesquisa de timbres; controle de dinâmica (escolher vogais certas em improvisos); uso do microfone (na altura do queixo); uso dos monitores de palco (exercícios para concentração auditiva); respiração (sempre em forma da vogal "a"); tempo dos fraseados ....enfim deu uma aula incrível.

Kirby Shaw, um dos maiores arranjadores americanos para corais, tem uma carreira de educador e regente mais famosa que a de cantor e produtor do grupo vocal Just for Kicks. Ele é hoje a pessoa mais procurada nos EUA para dar workshops de canto em grupo. Segundo ele, qualquer pessoa pode cantar, só precisa de "ar e ouvidos". Existe um vídeo maravilhoso: "Kirby Shaw's Soul Clinic" onde ele fala dos mesmos assuntos que abordou no curso, como alguns toques para melhorar a performance melódica de um cantor: antecipações; vizinhos de cima e de baixo; "appoggiaturas"; notas de passagem; uma abordagem particular sobre como entender a melodia das palavras (letras das músicas); e, ainda, como melhorar sua afinação. Vale a pena conferir!

Raz Kennedy, cantor do The House Jacks, produtor vocal e professor da Jazz School in Berkeley (Boston), falou bastante sobre aquecimento corporal para cantores (correr, saltar ou pular por 15 minutos sempre antes de cantar), relaxamento corporal e vocal (exercícios de yoga e tai chi diários), "energia vocal" (exercícios para o cantor manter a energia no corpo enquanto canta) e, ainda, defendeu o uso da voz na percussão vocal, assunto esse polêmico para os defensores da saúde vocal.

Andrew Chainkin, ex-percussionista vocal do The House Jacks, deu um curso fantástico de percussão vocal para iniciantes e iniciados, em que mostrou fundamentos básicos de levadas e timbres de bateria, demonstrando que qualquer pessoa que tenha ritmo pode ser um bom percussionista vocal. Essa nova forma de produzir som nos grupos vocais foi um divisor de águas no mundo "a cappella" nos últimos 5 anos, pois originou um conceito novo: as Bandas Vocais ou "Vocal Bands", que como o próprio nome diz, são grupos que imitam arranjos instrumentais variados em diversos estilos (rock, jazz, disco etc.) e possuem um ou mais cantores que fazem percussão vocal, geralmente imitando uma bateria.

Vários grupos vocais fizeram shows nas horas de almoço e, nos intervalos, pelos corredores da universidade. Grupos vocais profissionais como: Fred (Barbershop), Toxic Audio, The Coats, Just for Kicks (Barbershop) e SoVoSó, além de terem feito um show memorável na noite do primeiro dia, tiveram durante as suas palestras a oportunidade de falar sobre suas carreiras, planos e trabalhos artísticos e, entre os assuntos, puderam cantar para uma platéia sedenta por música vocal. Dos grupos vocais que deram palestras, Toxic Audio, que é um quinteto (3 homens e 2 mulheres) que se apresenta como banda vocal, foi o mais interessante. Ganhadores do "Harmony Sweepstakes 2000", eles mostraram com muito experiência — cantaram na Disney World durante 1 ano, 5 vezes por dia, 5 vezes por semana - Ufa! — como grupos vocais podem melhorar a sua performance no palco. Simularam problemas de som no palco durante os shows, abordaram posicionamento de cantores no palco e ainda deram uma aula de marketing para artistas, mostrando como brincar e manipular a platéia com desafios musicais, jogos e, o mais espetacular, mostrando seus próprio erros. Um show!!!!

Devido ao grande interesse da comunidade "a cappella", pela primeira vez nesse tipo de workshop, foi ministrado um curso sobre sonorização objetivando que cantores pudessem entender as melhores maneiras de utilizar microfone e compreender as soluções dadas pelos técnicos para se eliminar as desagradáveis microfonias. A principal mensagem foi que um bom equipamento (microfones, cabos, caixas, mesa etc.) é primordial para se obter um som a altura do que se faz acusticamente e evitar as temíveis microfonias. Contudo, isso não é bastante o suficiente, e como 80 % da palestra foi direcionada para eliminação de microfonia, deve-se acrescentar ao equipamento de grupos vocais "a cappella" periféricos que a destruam, como "Feedback Exterminator"(FBX), "Real Time Analyser" (RTA) e Equalizadores (EQs) e, além disso, um técnico de som que seja bom o suficiente para se tornar imperceptível.

"HIGH ENERGY", expressão mais usada nas palestras, significa a energia que o artista deve concentrar e expandir no palco e na platéia através do corpo e da voz. Esse conceito é muito importante na música "a cappella", porque nesse estilo musical os cantores são artistas absolutos. Não há nada mais no palco além de cantores, microfones e garrafas de água. Um desafio pra lá de atraente para cantores que improvisam com conhecimento de harmonia e experiência instrumental.

Com certeza o que mais me impressionou nesse novo mundo que acabara de descobrir foi a quantidade enorme de pessoas envolvidas com o canto "a cappella" em todo o mundo, todas elas ligadas por um único objetivo: cantar harmonizando para uma quantidade de pessoas cada vez maior. Há pouco tempo atrás, acreditava que existiam alguns poucos grupos vocais que por sua excelência se aventuravam a cantar somente "a cappella" e ainda conseguiam público. Não imaginava que uma comunidade havia se formado e se desenvolvido tanto que gerou um sem número de pequenos grupos vocais "a cappella" de qualidade egressos dos grandes corais. Uma nova porta se abriu para os bons cantores!

As maiores e mais importantes organizações de música "a cappella" no mundo estão em Los Angeles e San Francisco. Lá estão instaladas respectivamente as sociedades CASA (The Contemporary A Cappella Society) e Primarily A Cappella — responsável pelo "Harmony Sweepstakes" e "West A Cappella Summit" —. Hoje, as duas sociedades são as maiores divulgadoras de música "a cappella" no mundo. Possuem um jornal bimestral que divulga idéias, pessoas e shows em todos os continentes, além de websites que funcionam vendendo cds e partituras, divulgando grupos profissionais. No website CASA é possível encontrar um FAQ (perguntas mais freqüentes) para esclarecer dúvidas do mundo "a cappella" como: técnicas de gravação, técnicas de arranjo, marketing para grupos vocais e, ainda, ajudam grupos a encontrar determinados tipos de cantores. Vale a pena conferir: www.casa.org e www.singers.com. Essas associações são responsáveis pelo fortalecimento desse segmento musical nos últimos anos e, talvez, por isso, só no estado da Califórnia aconteça um concerto de grupos vocais "a cappella" a cada dois dias. Quem sabe um dia chegamos lá !

Crismarie Hackenberg, pianista e educadora musical formada em 1992 pelo Conservatório Brasileiro de Música, leciona há mais de 15 anos: piano (erudito e popular) para crianças e adultos, percepção musical e canto. Atua como regente e preparadora vocal de dois corais: Vocal Factory (Escola de Idiomas Wizard-Gávea) e o Coral de funcionários da ESSO. Cursa Regência Coral nos Seminários da Pró-Arte com o professor Carlos Alberto Figueiredo e é aluna de canto de Clara Sandroni. Componente do grupo vocal "a cappella" BR-6, produz e dirige grupos vocais "a cappella" e, no ano de 2000, fundou a RioAcappella - uma sociedade que promove cursos, encontros, concursos e um site para grupos vocais "a cappella" e interessados no assunto.




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