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Bob McFerrin
por
Beto Hall
Bobby McFerrin- Uma Voz Inspirada
Nascido em 11 de março de 1950 na cidade de Nova York, filho de dois cantores eruditos, o mundialmente conhecido vocalista de jazz, compositor e maestro Bobby McFerrin começou seus estudos musicais aos 6 anos de idade, pouco antes de sua família mudar-se para Los Angeles. Embora o piano tenha sido o seu instrumento principal tanto no ensino médio quanto em seus estudos em diversas universidades californianas no início dos anos 70, não foi até 1977 que ele foi inspirado a tornar-se cantor.
Depois de um período em Nova Orleans com uma banda chamada Astral Projection o jovem artista mudou-se para São Francisco onde, dentre muitos contatos importantes, conheceu o astro de TV Bill Cosby, que providenciou a sua estréia no Hollywood Bowl, participando do Playboy Jazz Festival de 1980. Um ano mais tarde seguiu-se um sucesso em Nova York no Kool Jazz Festival, e pouco depois lançou seu inovador álbum de estréia, Bobby McFerrin em maio de 1982. Mc Ferrin contribuiu para a canção tema para a popular série de TV de Cosby, ol Cosby Show.
No início dos anos 80, Bobby McFerrin colaborou com músicos do Jazz como Herbie Hancock e Wynton Marsalis, Joe Zawinul e Wayne Shorter da Metereologia, o Manhattan Transfer e Jon Hendricks assim como com Garrison Kiellor, Jack Nicholson, e Robin Williams. O seu álbum seguinte, The Voice expunha as extraordinárias excursões a cappella de McFerrin. O disco multi-tracked, e multi-premiado com o Disco de Platina, Simple Pleasures, que incluía o single mundialmente no topo das paradas e o vídeo Don’t Worry Be Happy, saiu em 1988.
O lançamento de 1990, Medicine Music, ilustrou as habilidades de McFerrin como orquestrador, especialmente em seu trabalho com seu grupo Voicestra. O Hush de 1992 foi um disco dueto para Sony Classical com a famosa violoncelista Yo-Yo Ma, para o qual os dois artistas executaram cinco composições originais de McFerrin e um arranjo único para “Hush, Little Baby”, a canção-título. O álbum ganhou o Disco de Ouro em 1996. Também lançado em 1992, o álbum de jazz, Play (Blue Note) que apresentava McFerrin e o pianista Chick Corea numa combinação de standards e composições originais que rendeu a McFerrin o seu 10o Grammy. A sua execução à 5 vozes a cappella lhe trouxe ampla aclamação e mais uma nomeação ao Grammy.
Em 1995 McFerrin lançou seu primeiro álbum clássico, Paper Music, para a Sony Classical com a Orquestra de Câmara de Saint Paul. Neste álbum Mc Ferrin regia e cantava a música de Mendelssohn, Mozart, Bach, Stravinsky, Tchaikovsky, entre outros.
Em janeiro de 1996 ele lançou Bang Zoom, sua colaboração com membros do “The Yellow Jackets”, estrelando as composições e vocalizações jazzísticas de McFerrin. Neste ano ainda, Sony Classicals lançou The Mozart Session, a segunda parceria de McFerrin com Chick Corea, desta vez apresentando suas marcantes interpretações de dois concertos para piano de Mozart.
Seu último lançamento, Circlesongs (1997), recolocou em foco a energia de McFerrin para vocalizações; mais precisamente, para espontâneas improvisações em música vocal. Com membros de Voicestra, ele gravou o álbum e fez toda a sua turnê sem material preparado. Toda música era criada no momento e para o momento, enquanto Mc Ferrin fazia o que muitas vezes soava como cânticos tribais com seus companheiros cantores.
McFerrin falou por telefone à Flagpole esta semana de sua casa em Minneapolis, Minnesota. Ele estava se preparando para o primeiro estágio de sua longa turnê pelo mundo onde ele iria reger orquestras sinfônicas, fazer colaborações com pequenos grupos vocais e instrumentais e improvisar como solista. Aqui estão alguns trechos da conversa.
Flagpole: Você se programou para reger a Orquestra Sinfônica de Atlanta logo antes de seu concerto em Atenas. Quais são seus planos para este concerto?
Bobby McFerrin: Eu acho que vai acabar sendo uma apresentação vocal solo. Será de improviso- fazendo o que parece certo no momento.
FP: Na juventude você começou como vocalista ou você tocava um instrumento?
BM: Ambos os meus pais eram músicos, cantores eruditos, então foi muito natural para eu tornar-me músico. Eu não cantei muito quando jovem. Estava tocando piano, órgão, sintetizador, coisas assim. Comecei a ganhar a vida como músico quando tinha 15, 16 anos. Só na universidade, no início dos anos 70, que comecei a cantar.
FP: Este período na Califórnia deve ter sido excelente para um jovem músico.
BM: É verdade, era ótimo ser músico naquela época. Meu Deus! Havia muito intercâmbio entre a música e os músicos. Todos estavam muito curiosos sobre o que todos os outros estavam fazendo. Os Beatles eram importantes. Músicos de Jazz estavam explorando música orquestral e trabalhando com grandes grupos. Era um terreno fértil para descobertas. O rádio também estava muito integrado então. “Top 40” significava literalmente tudo- de James Brown a James Taylor. Era um tempo excepcional para ser músico e me diverti intensamente.
FP: O que mais o levou para as suas primeiras explorações musicais?
BM: No início dos anos 70 eu era um bacharel em composição e tocava muito como acompanhante em muitas bandas, e não pensava muito além disso. Eu nunca penso muito além do momento presente. Eu normalmente penso no presente, então naquele momento estava muito satisfeito e contente tocando teclado em bandas e não estava pensando no estrelato ou em ganhar o Prêmio Pulitzer ou qualquer coisa assim. Eu tinha sonhos, mas não me lembro mais qual eram (ri).
FP: O que o levou a cantar?
BM: Do nada, um dia. Resolvi que queria cantar e passei dois ou três anos explorando o tipo de canto que queria fazer. Então eu tive a idéia maluca de entrar no palco sem banda e começar a cantar o que me vinha à cabeça. Eu resisti à esta idéia por algum tempo, pois parecia muito radical, mas tornou-se óbvio o que eu tinha que fazer.
FP: O que você cantava?
BM: Qualquer coisa que viesse à cabeça- canções que conhecia, canções que fazia na hora, músicas dos Beatles e cânticos africanos. As pessoas pareciam gostar. Construí a minha carreira fazendo isto durante anos.
FP: Depois do sucesso do hit a cappella “Don’t Worry, Be Happy” você deu uma reviravolta de 180o na sua carreira e mergulhou na regência. Puristas de jazz e clássicos devem ter te criticado muito nesta fase de sua carreira. Como você lidou com esta mudança de direção?
BM: Eu enfiei a cara e fiz. No começo, eu era mais suscetível e não lidava bem com isso. As pessoas diziam “Você não pode fazer isso” e “Ninguém vai te levar a sério”. Eu me lembro de alguém do mundo clássico me dizendo que se eu quisesse ser respeitado como regente, eu não podia fazer nada além de reger. Eu discordei. No meio tempo, alguns fãs e músicos de jazz acharam que eu tinha me vendido- especialmente porque eu consegui um hit pop, quando “Don’t Worry Be Happy” foi lançado. Eles diziam “Bem, Bobby, você nos abandonou” (ri).
FP: Você se sente mais intimidado ao entrar no palco à frente de uma orquestra sinfônica ou sozinho?
BM: Ainda acho um pouco intimidador ficar à frente de uma orquestra, mas é mais fácil agora. Quando eu comecei a reger, eu ficava tão intimidado que não conseguia responder à nenhuma pergunta que os músicos me faziam porque eu não conhecia as peças tão bem quanto eles. Os ensaios eram um verdadeiro pesadelo de tão amedrontado que eu ficava. Contudo, depois de 10 anos, os acho muito agradáveis.
FP: Você evidentemente está mais interessado em criar uma música nova e achar novas possibilidades musicais do que no estrelato. Esta é a chave do sucesso para qualquer músico?
BM: Meus filhos querem fazer carreira na música e sempre digo a eles “Se vocês querem longevidade, têm que sempre explorar tipos diferentes de música... não faça apenas o que é da moda, porque a moda muda”. Eu posso ter pego esta maneira de pensar dos meus pais. Nunca acreditei na retórica das companhias de gravação ou a sua frase “Se você quer fazer o que você quer fazer, você tem que fazer o que nós queremos que você faça primeiro”. Eu nunca acreditei nisto. Não faz nenhum sentido.
Por: Ballard Lesemann
Tradução de José Roberto Hall Brum de Barros
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